Retratos dos afro-iranianos, uma minoria desconhecida

 Você sabia que assim como no Brasil, no Irã também existem descendentes de negros escravizados?  Por serem uma minoria étnica que habita principalmente o sul do Irã, estes povos são quase desconhecidos, embora apareçam em alguns filmes clássicos iranianos como O Corredor de Amir Naderi (1985) e O Dia em que me tornei Mulher de Marzieh Makhmalbaf (2000). Tenho recebido várias vezes em meus alertas do Google uma matéria do blog português Visão sobre os afro-iranianos, a qual já compartilhei em nossa fanpage. Neste post gostaria de mostrar especialmente o trabalho do  fotógrafo germano-iraniano Mahdi Ehsaei que documentou os afro-iranianos de maneira primorosa em seu projeto artístico Afro-Iran: The Unknow Minority. Confira alguma dessas maravilhosas imagens: 

“O olhar e o modo como os trovadores que hoje personificam Haji Firuz [o arauto do ano novo persa] cantam e dançam evocam a fisionomia e o dialeto africanos”, diz o fotógrafo Mahdi Ehsaei sobre uma figura que depois da abolição da escravatura no Irã, em 1928, ainda entoa rimas como “Meu Senhor, eleva a tua cabeça/ Meu Senhor, olhe para si próprio/ Meu senhor, por que não ri?” Haji Firuz foi um dos rostos negros que levou Ehsaei, 27 anos, a ir ao encontro de uma comunidade “desconhecida e ignorada”, no sul do Irã. O outro foi um homem que o cativou no estádio de Hafeziyeh, na cidade de Shiraz.

“É importante salientar que nem todos os escravizados na Pérsia eram africanos e que nem todos os africanos chegaram à Pérsia como escravizados”, esclareceu Ehsaei. “A Pérsia também tinha escravizados do sul da Rússia e do Cáucaso do norte, enquanto alguns marinheiros africanos vieram para trabalhar no Golfo Pérsico. A partir do início do século XVI, portugueses e espanhóis ocuparam gradualmente as ilhas de Qeshm [Queixume] e Ormuz, de grande interesse estratégico. A ocupação da costa africana ocidental deu aos portugueses acesso ao comércio de escravizados, que controlaram durante os mais de cem anos que dominaram o Golfo Pérsico.”
Muitos dos afro-iranianos descendem desses escravizados: bambassis, núbios e habashi. Os bambassi ou zanj, vieram de Zanzibar (atual Tanzânia), e países vizinhos – possivelmente Moçambique e Quênia (Mombaça). Os núbios vinham da Núbia e da Abissínia. Os habashi eram originários da Etiópia.

>> Este vídeo mostra o trabalho completo sendo folheado: 
   
🔗 Fonte: Visão | Fotos: Mahdi Ehsaei 

Este post tem um comentário

  1. Dante

    Nossa, nunca imaginei existirem iranianos descendentes de africanos!! Parabéns pelo seu blog que nos surpreende com este belo país!!

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