“O outro Irã”

Foto: Sidney Dupeyrat
Por Sidney Dupeyrat de Santana  

Quando vamos aos grandes centros turísticos internacionais, sabemos
exatamente o que nos espera. Nos EUA, letreiros e muros de Nova Iorque e Miami
berram nos nossos ouvidos: “Compre, consuma!”. A França nos oferece
um clima romantizado e blasé, perfeitamente simbolizado pelos bairros centrais
de Paris. São lugares para turistas, com imagens construídas e mantidas
exclusivamente para atender as nossas expectativas. Ao visitar esses destinos,
recebemos justamente aquilo que nos é prometido: não nos decepcionamos e jamais
ficamos com menos do que o esperado. Em contrapartida, não temos o fator
surpresa, o processo de aprendizado e inserção cultural é prejudicado por uma
débil convivência com os locais que geralmente se resume à compra e venda de
mercadorias.
 O Irã não poderia ser mais diferente. Influenciados pelos grandes
veículos de comunicação, temos uma tendência a pensar o país persa como um
local fundamentalista, perigoso, inóspito e triste. Fomos e somos bombardeados
constantemente por notícias de tom negativo como o governo religioso, a questão
nuclear e as diferenças com os Estados Unidos e Israel.
Mas a realidade é
completamente distinta.
 

 Foto: Sidney Dupeyrat

O melhor do Irã, sem sombra de dúvidas, é o seu povo. Descobrir os
iranianos é reconsiderar todos os seus conceitos de amizade e hospitalidade. É
confirmar que realmente existem pessoas que buscam ajudar o próximo sem receber
nada em troca – mesmo esse próximo sendo um completo desconhecido. É conhecer
indivíduos ávidos por estabelecer contato com o diferente. É perceber in loco que sanções econômicas atingem
pessoas e não governos. É ser saudado com um sorriso nos lábios. E se despedir
com lágrimas nos olhos.
 Apesar do patrimônio histórico gigantesco, da riqueza cultural sem igual
e das belezas geográficas, é o lado humano que torna o Irã um país tão único. E
a ser descoberto pela comunidade internacional. Visitar o grandioso Palácio
Golestan em Teerã e nele ver poucos estrangeiros é ter a certeza de que algo
está errado. Muitos dizem que o Irã se fechou para o mundo a partir de 1979,
mas a verdade é que foi o mundo que virou as costas para o Irã. Que ele acorde
a tempo de ser surpreendido por este lugar tão magnífico.
 

Este artigo foi enviado gentilmente por Sidney Dupeyrat de Santana,  fotógrafo e artista visual que vive no Rio de Janeiro e viajou para o Irã em 2013. Aguardem os próximos relatos do Sidney, em breve aqui no blog! 

Site: www.sidneydupeyrat.com
Instagram: @sidneydupeyrat


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Este post tem 0 comentários

  1. Vahid

    Um excelente texto! Aguardo ansiosamente os próximos.

  2. Janaina Elias

    Salam Vahid! Obrigada pelo comentário! Escrito por um conterrâneo seu aí do RJ. Aguarde que os próximos também são ótimos!

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