Chaharshanbeh Suri: a última quarta feira antes do Ano Novo Persa

Salam amigos! Na véspera da última quarta-feira antes do Nowruz, os iranianos celebram a Chaharshanbe Suri, que significa “quarta-feira vermelha”, ou festival do fogo. Esta data simboliza a vitória da luz contra as trevas (do bem contra o mal) e remonta a um ritual celebrado pelos persas há  mais de 2500 anos oriundo dos ancestrais zoroastrianos.

 

Origens históricas da Chaharshanbeh Suri

Historicamente, os iranianos celebravam o festival de Farvardingan, os últimos cinco dias do ano. Nesta época, eles acreditavam que os espíritos dos falecidos viriam para se reunir com os vivos. Os Amesha Spenta (sete guardiões imortais) eram homenageados e recebiam um ritual de despedida no início do Ano Novo.

Este festival também coincidia com festivais que celebravam a criação do fogo e dos humanos. Na época do Império Sassânida, o festival era dividido em duas partes distintas com duração de cinco dias, conhecidas como panje menor e maior. Gradualmente desenvolveu-se a crença de que o “panje menor” pertencia às almas das crianças e daqueles que morreram sem pecado, enquanto o “panje maior” era para todas as almas.

Chaharshanbe Suri: pintura mural no palácio Chehel Sotun em Isfahan, séc. XVI

Como é celebrada hoje?

Hoje, à meia-noite, iranianos de todas as idades saem pelas ruas e saltam sobre fogueiras ou brincam com fogos de artifício cantando a canção tradicional: Zard-ye man az to, sorkhn-ye to az man, que pode ser traduzida como “Minha cor amarela para você, sua cor vermelha para mim”. Este é um pedido para que toda as doenças (cor amarela, palidez) sejam tomadas pelo fogo e devolvidas como saúde e força (cor vermelha).

Os preparativos começam com vários dias de antecedência. As comunidades recolhem lenha, preparam fogos de artifício e fogos de artifício e preparam comidas especiais para a ocasião. Na noite do festival, famílias e amigos se reúnem para acender fogueiras, muitas vezes em seus quintais ou parques públicos.

Embora algumas autoridades iranianas tenham levantado preocupações de segurança sobre a prática de pular sobre as fogueiras devido a acidentes e ferimentos, a tradição continua a ser um aspecto profundamente enraizado da herança cultural iraniana.

Como a Chaharshanbeh Suri não é uma tradição islâmica, geralmente os grupos mais conservadores do Irã não a comemoram. Mas, também não é reconhecida como uma tradição religiosa pela maioria dos iranianos, que costumam celebrar a data apenas como uma herança cultural se despedindo do inverno e saudando a chegada primavera!
Além do Irã, o festival da Chaharshanbeh Suri também é celebrado nos países próximos onde há influência da antiga cultura persa como  Azerbaijão,  Iraque,  Afeganistão,  Tadjiquistão e  Turquia.

 

Iranianos pulam fogueiras,  na celebração da  Chahahshanbe Suri em Teerã  Crédito: Tasnim News Agency, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

 

Quais são outros costumes e tradições desta data?

Diferentes tipos de castanhas e passas também são comidas nesta data. Elas são conhecidas como Ajīl-e Moshkel-Goshā (“frutos que resolvem problemas”).  A Chaharshanbeh Suri, também é um dia de agradecer pelas bençãos do ano anterior e pedir por um ano novo de saúde e felicidade.

Ajīl-e Moshkel-Goshā (castanhas e passas)

Outros rituais são bem curiosos lembrando o Halloween. Por exemplo, de acordo com a tradição, nos últimos dias do ano, os vivos são visitados pelos espíritos de seus ancestrais e muitas crianças saem vestidas como fantasminhas simbolizando esses ancestrais, batendo em panelas com colheres e pedindo agradinhos de porta em porta. O ritual é chamado qashogh-zani (“batucar colher”) e simboliza afastar por meio do barulho toda má sorte da última quarta-feira do ano.

Crianças fazendo o qashogh-zani

Ha muitas outras tradições também que estão mais presentes nos vilarejos do Irã como o Kūze Shekastan, que significa “quebrar o vaso de barro” quebrando simbolicamente todo o infortúnio, e o  Shal Andâzi que consiste em amarrar vários lenços uns aos outros  formando uma longa corda que é colocada na chaminé das casas dos vizinhos que devem atar um presente para aqueles que forem puxá-la de volta.

🔎 Fontes: FarsinetSurfiran  (Acessos em: 12/03/2024)

Este post tem 0 comentários

  1. Anônimo

    Salam, Jana Jan!

    Muito curioso esse rito cultural, pois lembra a Festa Junina nordestina, em que pulam a fogueira também.

    Um beijo da terra do mar…

  2. Janaina Elias

    Salam Denise jan!
    Pois é, fiquei pensando que além da fogueira que lembra a nossa festa junina, o costume de comer castanhas e passas no fim do ano e as brincadeiras do Halloween com as crianças pedindo gostosuras ou travessuras todos tem uma raiz lá na antiga Pérsia!

    Beijão!

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